Black Elephant – Cosmic Blues (2018)

Seria difícil encontrar uma descrição melhor para o álbum Cosmic Blues da banda Black Elephant do que o título do próprio álbum. Original de Savona/Itália, o quarteto conjurou os espíritos que geraram o Black Sabbat para criar uma música pesada e viajante com inspiração nos melhores grupos dos anos 70. Cosmic Blues é o terceiro álbum da banda. Antes, lançaram Bifolchi Inside (2014) e Spaghetti Cowboys (2012). O disco recém lançado marca a estreia da banda na gravadora Small Stone Records.

Formada pelo vocalista/guitarrista Alessio Caravelli, o guitarrista Massimiliano Giacosa, o baixista Marcello Destefanis e a baterista Simone Brunzu, o Black Elephant deixa sua marca no underground italiano com músicas memoráveis ​​e um som que é tão desconcertante quanto imaginar um mundo caótico sem dor. Os riffs, apesar de não serem inovadores, são cativantes, as atmosferas remetem à climas áridos-espaciais e os solos são profundos e carregados de distorção.

Acumulando algo aproximado em uma centenas de shows, a banda tem experiência para experimentar no estúdio e testar seus limites musicais. O Black Elephant toca com uma intensidade que parece natural dado o talento dos músicos e a dedicação com a qual tratam o seu trabalho. Com Cosmic Blues, a banda pode alcançar níveis de exposição ainda não experimentado com os trabalhos anteriores. E é bom que estejam preparados, pois o sucesso parece ser só uma questão de tempo.

O disco foi produzido e mixado por Giulio Farinelli; gravado no Green Fog Studio, em Gênova; mixado também por Giulio Farinelli, mas no estúdio Everybody On The Shore, Milão e masterizado por Maurizio Giannotti no New Mastering Studio, Milão, tudo na Itália. A arte da capa foi feita por Robin Gnista e o álbum foi lançando pela Small Stone Records (ASCAP).

Referências:

Head Composer – Xing Tian (2018)

O primeiro álbum do Head Composer – em português, Compositor Principal, “Xing Tian“, foi produzido por Ping Cheng. A maioria das músicas foi gravada no estúdio YuCheng Cinema Studio por Andy Baker, com tecnologia de gravação sincronizada e masterização de Souichirou Nakamura no Peace Music Studio.

Xingtian é o álbum (instrumental) de estreia do Head Composer de Taiwan. Xing tian é uma figura mitológica que apareceu pela primeira vez no antigo texto chinês Shan Hai Jing. Nas criptas antigas, ele era simbolizado por um único caractere do alfabeto chinês como “humano”. Em sua existência imortal, sua carne e alma se cristalizaram e ele nunca deixou de procurar inimigos, acrisolado em seu próprio ódio. Há um propósito de significados bem definidos para a mortalidade do homem. Enquanto seres vivos, somos fadados à morte, mas nossos propósitos nos mantém na luta até o último suspiro. No entanto, muitas pessoas encontram beleza na morte e no inevitável fim, que paradoxalmente, se revela como o mais puro significado da existência.

Referências:

Miserable – Loverboy / Dog Days (2018)

Kristina Esfandiari (King Woman) é a mente por trás de Miserable. Suas principais influência são nomes como Yves Tumor, Prince, James Brown, Frank Ocean, entre outros…  Ela conta que suas primeiras experiências musicais se deram muito cedo quanto a apresentar-se publicamente e sentia como se houvesse algo como um palco dentro de si, alimentando o desejo de ser artista:

Eu costumava ser incrivelmente tímida, mas me sentia compelida a fazer isso. Então um amigo acabou comprando uma guitarra e me presenteou dizendo “você precisa de um palco“.

Kristina afirma ter se tornado uma compositora mais didática no momento em que assumiu a personagem Miserable. Embora conclua o raciocínio dizendo que esse processo foi só uma das muitas maneiras que encontrou para lidar com os seus traumas, demonstra ter conseguido mais que isto com relação ao seu equilíbrio pessoal. Manter-se ocupada compondo e criando foi fundamental para a sua saúde mental.

Sobre este trabalho solo, diz que a chama para gravá-lo foi acesa quando o seu disco rígido “queimou”, levando embora todo o trabalho de composição que já havia realizado. Determinada, ela recomeçou do zero e preparou Loverboy, um EP de canções sobre melancolia e força. O fogo criativo, foi alimentado pela solidão e pelos próprios traumas. Foi nesse contexto que mostrou sua rebeldia, que ela mesma define como “algo ao mesmo tempo frágil e desdenhoso”.

Eu, enquanto ouvinte, não sei o que “frágil e desdenhoso” significa, mas posso afirmar que sua música contém vários sentimentos que podem muito bem sintetizar o mau estar juvenil que todos nós já experienciamos em algum momento de nossas vidas. Mas vai além disso, é uma resposta a esse mau estar e tudo o que ele representa. A miséria de não pertencer a nada nem a ninguém. O estar sozinho na multidão. O eterno ser/estar deslocado.

Por fim, para tornar o lançamento mais interessante, Kristina pegou o EP Loverboy e juntou ao EP Dog Days (registro anterior) de modo a poder oferecer um produto mais completo e acabado para os fãs. 

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Artur Menezes – Keep Pushing (2018)

Artur Menezes é um bluesman brasileiro que está vivendo em Los Angeles / Califórnia. No Brasil, foi um dos fundadores da reconhecida Casa de Blues (cooperativa de artistas locais) e ajudou a organizar vários festivais com a presença de importantes figuras como Buddy Guy e John Primer. Ele não apenas toca guitarra, mas canta, compõe e interpreta com muita personalidade. Com cinco discos na bagagem, tornou-se conhecido por mesclar suas influências regionais com o blues, enxertando seu DNA na cadeia genética do estilo.

Já em Los Angeles, foi o grande vencedor do desafio Blues Challenge promovido pela Santa Clarita Valley Blues Society e foi uma das atrações do International Blues Challenge de Memphis/USA, promovido pela Blues Foundation, com mais de 250 bandas de vários países aa ocasião do 33º ano do festival. Além disso, se apresentou nos festivais Cadillac Zack Presents The Best Blues in California, no Maui Sugar Mill Salloon e no Malarkey’s. Ambos locais onde grandes nomes da cena blues atual se apresentam, tais como Joe Bonamassa, Eric Gales e Philip Sayce. Na mesma época, atuou como open act para Bobby Rush, que ganhou o Grammy por melhor álbum de blues tradicional.

Keep Pushing, quarto álbum, representa uma virada de página na carreira do artista. Com mais recursos e melhor produção, ele busca se inserir na cena americana de uma forma sutil e aderente aos requisitos gringos. A maior arma de Artur é o seu talento para tocar guitarra e ele sabe disso, portanto, abusa dela de uma forma divertida e saudável. Neste álbum de 10 canções (38 minutos) ele consegue dar o seu recado com maestria e respeito pelo estilo que o consagrou. É um trabalho descontraído e perfeito para o público dos pubs de sua nova casa. Ele cria uma atmosfera mais “moderninha” no blues e injeta novos ares dentro do tradicional. Já com menos referências regionais, insere criativamente suas próprias sacadas musicais e busca se estabelecer sem forças situações. Os destaques são: 2) Keep Pushing, 3) Come With Me e 10) ‘Til The Day.

Stonefield – Far From Earth (2018)

A banda faz parte de um poderoso mosaico das boas e novas bandas que circundam sua cidade natal no sudeste rural da Austrália. As quatro irmãs Findlay fazem um tipo de rock que talvez esteja situado entre o indie e o stoner. A banda tem mais de uma década de atividades. Seu segundo disco As Above, So Below (2016) continha uma atmosfera sabática, a partir da qual conseguiram uma legião de seguidores e, por tabela, datas em festivais e giros internacionais, pegando a estrada com The Meat Puppets, Fleetwood Mac, entre outros. 

Em 2017, passaram duas semanas gravando nos estúdios Downtown LA, seguindo-se de uma turnê pela East Coast nos EUA com King Gizzard & The Lizard Wizzard. E o resultado é o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Far From Earth. Produzido por Stephen McBean (líder da banda Black Mountain), este último lançamento mergulha fundo no espectro do rock setentista e adiciona uma certa dose de peso ao som que ainda parece querer se ajustar entre as frequências indies e progressivas do rock moderno. Por falar nisto, a mudança do indie rock para um som mais hard rock é a mais perceptível na variação do primeiro single, Delusion para o disco atual. Far From Earth, de acordo com as moças, é um canal para contatos imediatos que consiste numa coleção de sons e de imagens destinada aos humanos do futuro ou a seres alienígenas.

Atualmente a banda é composta por Amy (vocals / bateria), Hannah (guitarra / backing vocals), Sarah (teclados / backing vocals) e Holly Findlay (baixo / backing vocals).

Referências: