Chico Buarque – Construção (1971)

O forte arranjo abre “Deus Lhe Pague”, primeira faixa do disco. Chico Buarque traz um tipo de sonoridade diferente daquela em que ficou conhecida no início de carreira, acompanhado de uma melodia soturna e uma letra forte do início ao fim – um truque para falar da ditadura. A seguinte, a ótima “Cotidiano”, virou uma das assinaturas do cantor ao longo dos anos. Ela [conta a história] de um[a] casal cansado da rotina, mas que não larga justamente pelo hábito de estar inseridos nela há muito tempo. Tudo isso dentro de um samba delicioso de ouvir e cantar junto.

Primeira de quatro canções em parceria com Vinicius de Moraes, “Desalento” beira um retorno ao Chico mais lírico, principalmente pelo arranjo escolhido para dar o tom – quase um bolero. Para encerrar o lado A, “Construção” é uma das grandes canções já lançadas no Brasil. Não só pela letra, sobre um pedreiro condenado a morrer na construção civil, mas também pela estrutura. Todas as palavras se conectam dentro da história de alguma maneira, não há ponta solta ao longo de toda faixa. É incrível como alguém pode fazer isso dessa maneira, a não deixar nenhuma brecha na melodia, nem na execução. Depois vem o bote: aparece a reprise de “Deus Lhe Pague”, conectando a história dessa música com o início do álbum. Uma tacada e tanto.

Um comentário sobre “Chico Buarque – Construção (1971)

Ajude-nos dando feedback!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.