Matthew Halsall – Colour Yes (2009)

Sending My Love, álbum de estreia, colocou Matthew Halsall no mapa do jazz no Reino Unido. De fato, trouxe uma certa iluminação para o estilo como um todo e lhe rendeu elogios de todos os setores da imprensa especializada daquele país. O estilo e as composições expressivas profundamente enraizadas na dimensão mais espiritual do jazz, combinadas com arranjos sutis e produção acima da média, fizeram com que o lançamento se tornasse algo muito maior do que apenas a estreia de um jovem e talentoso músico. O álbum serviu como uma espécie de boas-vindas ao que viria pela frente e uma celebração à música feita com alma.

Porém, foi com Colour Yes que Halsall surgiu para o mundo. Intérprete apaixonado e músico comprometido, o artista nos brinda com seu segundo álbum, que contém 6 (seis) composições inéditas e de altíssimo nível. Desta vez, o multi-instrumentista recrutou os talentos de Nat Birchall (sax), Adam Fairhall (piano), Gavin Barras (baixo), Gaz Hughes (bateria), Marek Dorcik (bateria) e Rachael Gladwin (harpa) para que, sob sua direção artística, realizassem atuações impecáveis. O resultado é nada menos do que mais um lançamento brilhante em todos os sentidos. Um disco atemporal que não se aflige com o passado e nem teme o futuro. São canções convergentes que nos conduzem a um estado de contemplação silenciosa. Assim como uma oração feita com amor para o Deus que existe em cada um de nós.

Sobre as composições:

O swing pacificador da faixa de abertura, 1) Color Yes, nos mostra um pouco da visão de mundo do autor, que ele leva para a música. 2) Together é uma peça transcendental que alimenta o espírito de Starless and Bible Black de Stan Tracey e Shades Of Blue de Neil Ardley, na interpretação de Don Rendell e Ian Carr Quintet. 3) I’ve Found Joy e 4) Mudita são temas característicos do jazz feito para os casais flutuarem nos salões de dança e tem uma seção rítmica assemelhada aos clássicos de Bill Evan em I’ve Been Here Before e mostra o respeito de Matthew pelos antigos mestres da tradição modal. 5) I’ve Been Here Before, é mais um tema para reflexão em que o espaço entre as notas quase significa tanto quanto as próprias notas criando uma atmosfera de letargia deliciosamente boa. As intervenções da harpa de Rachael Gladwin traz uma sensação de fluidez para a música. 6) Me and You é algo que nos insere no mundo melodioso de Dorothy Ashby e Alice Coltrane, mas sem a presença da voz como o centro das atenções. 7) It’s What We Do e 8) Ai são bonus track colocados no disco para torná-lo mais atrativo, mas que acabam por levar o álbum a um propósito ainda maior: o de nos apaziguar com nós mesmos e com o mundo.

Referências:

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