Gary Moore – Still Got the Blues (1990)

A década de 80 não foi totalmente boa para Gary Moore. Ele conseguiu restabelecer sua amizade com o grande amigo Phil Lynott (Thin Lizzy) quase que tarde demais. Ainda deu tempo para que viesse a figurar em várias faixas do álbum Life/Live  e mais algumas posteriores como os hits Military Man e Out in the Fields, mas os anos de trabalho duro dedicados ao Lizzy chegaram para Phil, que fez sua passagem para o plano espiritual no ano de 1986. Gary então dedicaria o seu álbum Wild Frontier ao finado amigo, honrando ainda, o eterno líder da Thin Lizzy na faixa Blood of Emeralds, de After the War.

Com a pressão para produzir singles e cansado de sua inclinação musical para o hard rock, percebeu que era hora de voltar às suas raízes bluesy no álbum Still Got the Blues, o lançamento “mais comercialmente” bem sucedido de sua carreira). Este álbum teve como convidados nomes como Albert Collins, Albert King e George Harrison. Gary em nada alterou seu jeito de toca, só que agora, fazendo aquilo que a muito desejava, blues. Este álbum é brilhante por 3 razões: 1) todas as composições são boas, 2) é um disco em que se percebe a fusão quase perfeita do blues tradicional com o rock moderno e 3), é notável a variação de ambientes em que o autor se expressa liricamente e a sincronia entre os humores das canções e suas respectivas melodias. Por fim, é um dos poucos álbuns em que Gary conseguiu expressar narrativas musicais e líricas de uma forma ao mesmo tempo sofisticada e exuberante, melancólica e extravagante.

Após outros discos similares, After Hours (1992) e Blues Alive (1993), se juntou a ninguém menos que o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker (Cream) para formar o supergrupo BBM que, infelizmente, gravou apenas um álbum, Around the Next Dream (1994). Em seguida, fez um álbum-tributo para Peter Green, Blues for Greeny (1995), que compôs e gravou longe dos holofotes. Gary ainda ousou experimentar uma mistura de estilos musicais nos dois álbuns seguintes: Dark Days in Paradise (1997) e A Different Beat (1999), antes de gravar outro disco de blues raiz, sugestivamente intitulado de Back to the Blues (2001).

Ao longo dos anos, Gary Moore foi o tema de inúmeras compilações, sendo que, a melhor do artista, para este que vos escreve, é a The Colection, mais orientada para o Heavy Metal (1998) e o Best of the Blues (2002), sem deixar de lado Out in the Fields: The Very Best Of Gary Moore, que foi dividido quase que meio-a-meio entre o Heavy e o Blues. numa colaboração com o baixista Cass Lewis (Skunk Anansie) e o baterista Darrin Mooney (Primal Fear), voltou a se dedicar ao rock e lançou discos como Scars (2002). Ainda houve tempo para lançar o poderoso Live at Monsters of Rock (2003), sobre o qual afirmou: “nenhum overdub foi usado!”. […] Raw Power of the Blues (2004) e Old New Ballads Blues (2006) foram novamente dedicados ao Blues. […] Close as You Get (2007) e e Bad for You Baby” (2008) teve como convidado especial o bateria e amigo Brian Downey (Thin Lizzy). Este acabou sendo o seu último álbum de estúdio, já que faleceu inesperadamente em decorrência de um ataque cardíaco nas primeiras horas do dia 6 de fevereiro de 2011, durante suas férias na Espanha.

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