Moto Perpétuo – Moto Perpétuo (1974)

Banda formada em 1969 sem grandes pretensões na cidade de São Paulo. Permaneceu alguns anos com atividades mais introspectivas até que, em 1973, decidiu gravar seu primeiro, que foi lançado no ano seguinte. Formado pelo, hoje, famoso Guilherme Arantes (teclados e vocal), Egydio Conde (guitarra solo e vocais), Diógenes Burani (percussão e vocais), Gerson Tatini (contra-baixo e vocais) e Cláudio Lucci (violões, violoncelo, guitarra e vocal). A música do grupo hoje é considerada rock progressivo. Mas será que sempre foi assim?

O disco, que leva o nome da banda, foi lançado em 1974, quando teve razoável repercussão. No entanto, só em 2002, veio a ser remasterizado e relançado, sendo que, apenas em 2010 tornou-se cult tanto para a crítica quanto para os fãs. Musicalmente pode-se dizer que o trabalho é uma pequena obra-prima elaborada com conhecimento musical e feita com muito carinho. Liderados pelo cantor e compositor Guilherme Arantes, o grupo produziu canções que poderiam ter se tornado clássicos mundiais se o disco tivesse sido lançado na América do Norte ou Europa. Produzido pelos músicos, sob a direção do próprio Guilherme, o disco tem muitas demonstrações de senso harmônico, técnico e de medida. As composições são variadas e cheias de climas, mas nada espalhafatoso. As músicas têm cara própria e fogem à tradição da época, visto que são curtas. A mais extensa tem apenas 6 minutos de duração. E isto talvez se deva mais ao senso estético do artista brasileiro (no geral), do que às influências individuais destes músicos (no particular).

Hoje o grupo é considerado um dos precursores do rock progressivo no país e, de fato, estava alinhado às tendências de seu tempo. Todavia, não tenho confirmação de que sempre foi assim. Ou seja, se quando fez o disco, tinha consciência dessa classificação / situação. Provavelmente, naquele ano (1974), não chamássemos o tipo de música aqui contida, de “rock“, muito menos, “progressivo“. Talvez, tenha sido imediatamente rotulado de mais um “grupo de MPB”. No entanto, é inegável que o seu surgimento se confunde com a chegada do referido estilo ao país.

Destaque absoluto para as letras, que parecem misturar a lucidez de Guilherme com a visão poética de Zé Ramalho, Belchior, Chico Buarque e – porque não dizer – Cartola, para formar uma espécie de literatura audiovisual. Não vou analisar o mérito nem o método das composições, pois me encanta mais o jeito como as palavras se encaixam nas notas para criar melodias do que a forma como as notas se juntam à matemática para criar estruturas. Nesse sentido, as que mais me tocaram são 3) Verde Vertente,  6) Não Reclamo da Chuva, 8) Sobe e Turba.

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