Samantha Fish – Chills & Fever (2017)

Ela nunca se limitou por qualquer expectativa. Crescendo em Kansas City, ela trocou a bateria pela guitarra quando tinha apenas 15 anos de idade. Passou a maior parte do seu tempo em pequenos pubs ouvindo bandas de blues. Chamou a atenção de Ruf Records, que lançou seu álbum de estreia, Girls with Guitars, conjuntamente com Cassie Taylor e Dani Wilde. Isso a levou a formar seu próprio trio e a gravar mais três álbuns, Runaway (2011), Black Wind Howlin‘ (2013) e Wild Heart (2015). como consequência, recebeu um prêmio de Melhor Artista Debut no Blues Music Awards em Memphis (2012). Ao longo do caminho ela trabalhou com artistas como Jimmy Hall, Devon Allman, e Reese Wynans, entre outros. 

Chill & Fever apresenta uma nova Samantha. Particularmente, percebi mudanças tanto de sentido como de direção: 1) a mudança de estilo, do blues para algo mais funkeado com tendências que, ora descambam para o soul, ora para o rock; 2) As composições não foram escritas em função da guitarra, embora haja predominância do instrumento; e 3) a passagem da artista de uma cantora em desenvolvimento para uma cantora de fato. Não se pode dizer que, ao beber em fontes variadas a artista cometa um pecado, muito pelo contrário, ao assimilar elementos de outras vertentes, ela se abre para um mundo de possibilidades. No entanto, disso também decorre uma tentativa de abarcar a um público maior, que também não é pecado. O pecado, na verdade pode vir da pressa em obter esse público de modo a se descuidar do que realmente importa: a música.

E quanto a música podemos dizer que: 1) parece simbolizar uma transição para algo mais comercial; 2) mais investimentos podem significar melhor acabamento e 3) não é o melhor nem o pior disco da artista. O que estou tentando dizer é que apesar dos esforços este trabalho não ultrapassa a marca do “médio”. Não apenas por causa dos pontos citados, mas, por não causar grande impacto: 1) tem peso, mas falta vibração; 2) tem variação, mas falta profundidade e 3) agrada, mas não comove.

O disco é bom, mas poderia ter sido o divisor de águas na carreira de Samantha. De toda forma, os destaques, na minha opinião são: 2) Chill & Fever, que até lembra algo de Morphine ou de Emy Winehouse, 7) Either Way I Lose, um dos momentos em que a cantora melhor interpreta suas próprias composições e 12) Crow Jane, que é uma versão brilhante para o clássico de Piedmont Blues Guitar.

Referências:

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