Matthew Halsall – Sending My Love (2008)

Compositor, trompetista, produtor, DJ e fundador da Gondwana Records, Matthew sempre desempenhou muitos papéis. Mas no cerne de tudo o que ele faz, é, antes de mais nada, um artista e um músico. Um trompetista cuja maneira impassível e comovente de tocar irradia um tipo de beleza reflexiva capaz de engendrar seu próprio mundo sonoro. Com sua banda faz um som que se baseia na herança do jazz britânico, no jazz espiritual de Alice Coltrane e Pharoah Sanders, bem como na world music, nas suas influências eletrônicas e, até mesmo, na arte e arquitetura modernas. De fato, ele consegue criar algo exclusivamente seu.

Sending My Love é um álbum que remete ao estilo praticado pelos mestres do estilo no final dos anos 1950 como o americano Miles Davis e, talvez também, o britânico Ian Carr na época em que colaborou com Don Rendell. Porém, o que mais impressiona neste álbum, juntamente com a excelência das composições, é a combinação perfeita do trompete com a flauta, algo que dificilmente se viu na história do jazz. Nosso flautista se chama Roger Wickham, que já mostra a que veio logo na faixa abertura, mas que está presente em todos os grandes momentos do disco. O trabalho é inteiramente feito de destaques, por isso, fugindo ao nosso padrão, tentaremos descrever as canções do ponto de vista de um não-músico:

1) On The Other Side Of The World, se introduz por um adorável solo de flauta na abertura com desdobramentos instigantes. 2) Reflections é uma balada belíssima que lembra Miles no seu auge no início dos anos 1960. O piano de Adam Fairhall se destaca na edificante 3) Freedom Song’, que se anuncia através de uma inflexão bem ao estilo blues. Na sequência, 4) Sending My Love nos trás à mente o veterano pianista Horace Silver de meados dos anos 1960, tanto quanto o baterista Gaz Hughes lembra o grande Roger Humphries. A faixa final, Sachi, é a deixa para Nat Birchall brilhar com um solo apaixonadamente melancólico de sax soprano que nos leva de volta ao romantismo inveterado dos anos 50.

À edição de luxo, foi adicionada a bonus-track, 6) This Time, que poderia ser uma mera recompensa para os fãs mais compulsivos, no entanto, acaba por ser um dos momentos mais emocionantes do álbum e nos ajuda a compreender a ideia de uma música cujo tipo de beleza seria capaz de criar um universo sonoro novo.

Referências:

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