John Lee Hooker – Hooker ‘N Heat (1971)

Conhecido pelos amantes do Blues no mundo inteiro como o “Rei da Boogie”, John Lee Hooker continua sendo uma das estrelas mais autênticas do estilo. Seu trabalho é reconhecido por seu impacto na arte como um todo. Seu jeito quase simplório de fazer música é sua marca principal e transcende a fronteira do mainstream. Cada década da longa carreira da Hooker trouxe uma nova geração de fãs e novas oportunidades para o artista, que sempre esteve em movimento. Ele nunca desacelerou. E, surpreendenmente, quando entrou nos seus 70 anos, é que se iniciou a era mais bem sucedida de sua carreira.

Nascido nas redondezas de Clarksdale, Mississippi, em 1917, numa família que gostava de música, a influência mais antiga do nosso herói veio de seu padrasto, William Moore, também músico, que ensinou seu jovem enteado a tocar violão e a quem John mais tarde creditou por seu estilo único no instrumento.

No início da década de 1940, se mudou para Detroit, vivendo entre Memphis e Cincinnati. Durante o dia, ele trabalhava como zelador nas fábricas de automóveis, de noite, como muitos do interior, ele entretinha amigos e vizinhos tocando nas festas da casa. O “Hook“, como era conhecido, ganhou fãs nos arredores da cidade por conta desses shows, incluindo o proprietário da loja de discos local, Elmer Barbee. Este ficou tão impressionado com o jovem músico que o apresentou a Bernard Besman, produtor musical e proprietário da Sensation Records. Em 1948, havendo melhorado na guitarra elétrica, gravou várias músicas para Besman, que, por sua vez, licenciou as faixas para a Modern Records. Entre essas primeiras gravações foi “Boogie Chillun” (logo depois de aparecer como “Boogie Chillen“), que se tornou um hit, vendendo mais de um milhão de cópias. Este sucesso foi logo seguido de uma série de outros, incluindo “I’m in the Mood“, “Crawling Kingsnake” e “Hobo Blues“. Hooker assinou com um novo selo, o Vee-Jay Records, com o qual, durante anos, manteve um cronograma de gravação profícuo, lançando mais de 100 músicas.

Quando os jovens artistas boêmios da década de 1960 o “descobriram” entre outras promessas do blues, ele viu uma oportunidade para redirecionar sua carreira. E, quando o Blues se tornava cada vez mais popular, ele voltou às suas raízes acústicas, passando a ser percebido como um artista cheio de originalidade. Através do Atlântico, bandas britânicas emergentes estavam imitando o trabalho da Hooker. Artistas como os Rolling Stones, os Animals e os Yardbirds levram o seu som públicos mais jovens e sedentos por consumir todos os produtos do seu trabalho criativo.

Em 1970, se mudou para a Califórnia, onde muito se ocupara colaborando em diversos projetos com astros do rock. Uma dessas colaborações foi com os líderes da banda Canned Heat (Alan Wilson e Bob Hite), que resultou no medalhão Hooker ‘N Heat. O álbum duplo que deu ao nosso herói, o seu primeiro disco de ouro. Os Canned Heat provaram ser o contraste perfeito para Hooker e, juntos, fizeram um disco que se tornou um dos maiores clássicos do estilo, na época.

A partir de então, o astro John Lee Hooker girou pelos EUA e pela Europa constantemente. Sua aparição no lendário filme Blues Brothers [Irmãos Cara de Pau] resultou em mais popularidade pelo mundo. Então, aos 72 anos, lançou o maior álbum de sua carreira, The Healer. Ganhou o Grammy Award de 1989, se equiparando a artistas contemporâneos como Bonnie Raitt, Carlos Santana, Los Lobos e George Thorogood, entre outros. The Healer foi aclamação pela crítica como melhor álbum do ano e vendeu mais de um milhão de cópias. Hooker fechou a década como artista convidado dos Rolling Stones, na transmissão nacional de sua turnê de 1989, Steel Wheels.

Com seus sucessos recentes, entrou na década de 1990 com uma sensação de inspiração renovada. Não só a década foi uma época de celebração e reconhecimento para o artista, mas também foi uma era altamente produtiva. Ele lançou cinco álbuns de estúdio nos anos seguintes, incluindo o Mr. Lucky, que mais uma vez lhe rendeu muita popularidade; Boom Boom, que agregou mais fãs a sua base; o Chill Out, que o levou novamente ao Grammy; e uma colaboração com Van Morrison, Do Not Look Back, que também obteve dois prêmios no Grammy de 1997.

Ao longo da década, o grande trabalho de Hooker e as contribuições para a música moderna foram reconhecidos não só por seus pares, mas também por uma geração mais jovem. Ele se tornou um rosto familiar na cultura popular americana, com aparições no The Tonight Show e Late Night com David Letterman. Em 1990, um enorme show de homenagem ocorreu no Madison Square Garden de Nova York, com Ele e mais uma lista de artistas convidados. Um ano depois, foi incorporado ao Hall of Fame do Rock & Roll, enquanto que, em 1997, foi apresentado como uma estrela no Hollywood Walk of Fame.

Em 2000, pouco antes do falecimento, foi agraciado com um Grammy Lifetime Achievement Award (prêmio pelo conjunto da obra). E, há apenas uma semana antes de sua morte, passou toda a noite de sábado tocando blues para uma plateia apaixonada no Centro Luther Burbank para as Artes, em Santa Rosa, CA.

Assim, apesar do seu falecimento, podemos dizer que está vivo em essência. Sua música pode ser ouvida regularmente em programas de TV, comerciais e filmes, e muitas de suas faixas também encontraram uma segunda vida em novas músicas testadas e aprovadas por grandes nomes da música moderna. Sua obra é festejada no mundo inteiro em bares e clubes de música. Definitivamente, Hooker vive!

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