Eric Clapton – From the Cradle (1994)

Ele começou a a carreira ainda jovem com a decisão de se dedicar a estudar, absorver e se tornar um artista do Blues. Mas percorreu uma longa e árdua estrada até dominar essa música em todas as suas formas, compondo um álbum exclusivamente voltado a ela.

From the Cradle foi e continua sendo um dos álbuns mais ambiciosos e bem sucedidos de Eric Clapton, que recompensou o cuidado e a devoção com que ele se envolveu no projeto. As gravações foram realizadas no Olympic Studios em Barnes, Londres, e a produção ficou a cargo de Clapton e de Russ Titelman (que, entre outros, produziu trabalhos de Meat Loaf, Cyndi Lauper e George Harrison). Um time de músicos com a mesma sintonia foi reunido e contou com o guitarrista Andy Fairweather Low, o tecladista Chris Stainton, o baixista Dave Bronze e o baterista Jim Keltiner. Jerry Portnoy participou como convidado tocando gaita e fazendo toda a seção de metais.

Clapton planejou gravar as 16 faixas ao vivo no estúdio, e poucos overdubs foram acrescentados mais tarde. Para o repertório, selecionou composições de vários artistas, entre elas canções de Elmore James, Muddy Waters, Willie Dixon e Lowell Fulson. Para o álbum, Clapton privilegiou o Blues rural e urbano, com os quais sempre se identificou. As canções foram executadas em andamentos realmente lentos, ou, às vezes, um pouco mais acelerado. Blues Before Sunrise, composição de Elmore James, mostra a determinação de Clapton de chegar até o mais rústico. O cantou adotou um estilo incomumente rouco que, em alguns momentos, beira gutural para essa interpretação, que combina com o boogie do piano e com os fraseados escorregadios da guitarra Slide.

Desse momento em diante, Clapton relaxa a abordagem vocal e sua guitarra também fica melhor. Em “Third Degree“, de Willie Dixon e Eddie Boyd, seu vocal está mais natural quando canta em protesto a letra que diz que foi acusado de assassinato e até de falsificação. “When I can’t white my name… bad look is killing me” [“quando não consigo escrever meu nome… o azar está me matando”].

Em Faixas como “Reconsider Baby“, “Hoochie Coochie Man” e “Five Long Yeares“, Clapton adapta o fraseado da guitarra, os tons e os estilos de dedilhado para que se ajustem ao clima de cada canção. Com isso, mostra a profundidade com que mergulhou na tradição do legado musical dos Estados Unidos. “Going Away Baby” traz um lado mais alegre do Blues, com um ritmo binário que sugere mais uma brincadeira no feno do que se asfaltar nas plantações de algodão.

Uma das execuções mais espetaculares ocorre em “Motherless Child” na qual Clapton troca para o violão e o clima da música skiffle. O andamento desacelera em “Someday After a While (You’ll be Sorry), em que a guitarra de Eric se torna raivosa e intensa antes de ceder espaço para as sujas e deprimentes “Standin Round Crying” e “Groanin the Blues” em que a bateria marca pesadamente um tempo atrás dos Staccatos da guitarra de Clapton.

Alguém poderia dizer que From the Cradle está excessivamente cheio de Blues e que precisaria de mais variedade e da inclusão de algumas canções mais populares do próprio Clapton. Mas isso seria ignorar o propósito do trabalho e teria traído inteiramente as intenções que inspiraram o projeto. O CD foi número 1 de 1994. O sucesso do álbum o estimulou a seguir fiel à sua retomada pessoal do Blues…”

Fonte:

  • Clapton : a história ilustrada definitiva. Chris Welch; [tradução: Silvia Mourão]. – São Paulo : Lafonte, 2012.

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